terça-feira, 23 de abril de 2013

Retirado dos contos do Rei vermelho - Pág 76

"O Amor explode. Ele arde e se expande, correndo e gritando e ocupando cada espaço que pode. Todos os espaços ao mesmo tempo. Ele sobe aos céus e toma o ar, pula e reage numa dança histérica de movimentos inexplicáveis e redemoinhos de pura fúria vermelha. Ele é quente e quer morder, apertar arranhar e prender em si com a força do final de tudo. Porque quer que tudo nele se finde. E quer se fazer visto. 
Essa é a natureza do Amor.

A Mágoa é pequena e silenciosa e resiliente. Ela se esgueira, procurando as sombras do coração. Sombras essas que talvez não existissem sem o amor. Porque se sabe que só se pode haver sombras se houver luz. Uma vez instalada, a mágoa é paciente. Ela aguarda e resiste. Ela respira e desliza para longe da atenção. Porque uma vez que ela tenha se fixado, e enquanto o amor sobe aos céus, ela se enraíza no chão. E então cresce e se petrifica. E uma vez que a mágoa tenha achado seu espaço, nenhum instrumento ou ferramenta de racionalidade pode realmente retirá-la. 
E depois que o amor se vai, porque como tudo que é dinâmico e explode, ele consome a si mesmo ou muda de lugar, tudo que resta á mágoa. Calada. Taciturna. E com a resistência da eternidade.
Porque essa meus amigos, essa é a natureza da mágoa. "

Ronnie Béz.

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